“Você ou a trust comprou esta gravata de grife?”
Pergunta foi feita a Cunha pelo deputado
Júlio Delgado, para quem o presidente afastado da Câmara se beneficia da
modalidade de aplicação financeira detectada em seu nome no exterior.
Reunião do Conselho de Ética consumiu sete horas de discussões.
Depois de mais de quatro horas de depoimento no Conselho de Ética,
o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), exaltou-se ao
rebater declaração do deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Júlio, que foi
adversário de Cunha na corrida eleitoral pela Presidência da Casa,
perguntou se a gravata e o terno de Cunha teriam sido comprados por ele
ou pela trust, modalidade de movimentação financeira que Cunha
diz ter feito no exterior – pretexto escolhido pelo peemedebista para
tentar desqualificar as provas de que tem contas na Suíça e de que, por
meio delas, movimentou milhões de dólares e francos suíços, segundo
denúncia da Procuradoria-Geral da República e aceita por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF), transformando Cunha em réu.
“Se o dinheiro das contas paga diárias de Hotel em Dubai, quem dorme nos lençóis de seda é o senhor ou a trust?”, fustigou.
Cunha, por sua vez, respondeu que a indagação do socialista tinha
viés político, além de ser vingativa. “Você disputou eleição de
presidente [da Câmara] comigo e perdeu. Você nunca será eleito
presidente dessa Casa”, afirmou o peemedebista. Cunha disse ainda que,
caso se confirme a candidatura de Júlio à Presidência, ele será
novamente derrotado.
Aliado
de Cunha, Wladimir Costa (SD-PA) defendeu o peemedebista e também
atacou Júlio Delgado. “Aparentemente o senhor está mais sujo que pau de
galinheiro”, disse o aliado de Cunha a Júlio. A troca de acusações
causou tumulto no colegiado.
O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), interveio e afirmou que a comissão era destinada a tratar das acusações contra Cunha, não contra Delgado. Wladimir Costa, então, voltou a atacar Araújo: “É porque o senhor é um apaniguado dele”.
Cunha depõe no Conselho de Ética da Câmara para se defender no processo que enfrenta por quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de ter mentido, em maio de 2015, à CPI da Petrobras ao dizer que não tinha contas bancárias no exterior, tese desmontada na ação penal a que o peemedebista responde no STF. (CONGRESSO EM FOCO)
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