Temer diz que criar empregos e pacificar o país são as prioridades
RIO DE JANEIRO, 16 Mai (Reuters) - O presidente interino Michel Temer
afirmou que espera reduzir o desemprego e trazer calma política e
econômica ao país, em entrevista exibida pela TV Globo na noite de
domingo (15), em que também afirmou que não disputará a reeleição caso permaneça na Presidência em definitivo.
Temer, que assumiu a Presidência de forma interina na semana passada
devido à decisão do Senado de instaurar um processo de impeachment
contra a presidente Dilma Rousseff e afastá-la do cargo por até 180
dias, disse também que vai cortar os gastos públicos onde for possível, e
que fazer a reforma da Previdência é essencial.
"Não é possível
não fazer nada em matéria de Previdência por uma razão singela. Daqui
alguns anos, quem sofrerá as consequências serão exatamente os
aposentados", disse.
Programas sociais
Reforçando
promessa feita na última semana, Temer afirmou ainda que os cortes de
despesas não vão afetar os programas sociais, como o Bolsa Família.
"Nós não podemos abandonar aqueles que têm dificuldade de vivência e
sobrevivência", disse Temer. "Se for necessário, cortarei de outros
setores, não cortarei daqueles mais carentes no país."
O
presidente interino assumiu o cargo em meio à pior recessão econômica
nas últimas décadas, com desemprego em alta e inflação de quase dois
dígitos. Seu governo promete realizar uma série de reformas para tentar
reavivar a economia.
Perguntado qual seria o legado que gostaria de deixar caso permaneça no
cargo, Temer afirmou: "Reduzir o desemprego, em primeiro lugar. Em
segundo lugar, ver um país pacificado".
Reeleição
Temer afirmou, ainda na entrevista, que não vai concorrer à reeleição
caso Dilma seja afastada em definitivo e ele assuma a Presidência até o
final do atual mandado, que vai até 2018.
"Eu estou negando a
possibilidade de uma eventual reeleição, até porque isso me dá maior
tranquilidade, eu não preciso praticar gestos ou atos conducentes a uma
eventual reeleição. Eu posso ser até, digamos assim, impopular, mas
desde que produza benefícios para o país, para mim é suficiente",
afirmou.
Na entrevista gravada, Temer disse ainda que não vai
interferir nas investigações da operação Lava Jato, que investiga um
esquema bilionário de corrupção que envolve principalmente a Petrobras,
empreiteiras e diversos políticos. (UOL)
(Reportagem de Paulo Prada)
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